Roupeiros do Fluminense guardam chuteiras históricas, nas Laranjeiras

Parte do passado retumbante de glórias do Fluminense está guardada na rouparia do clube. O local que serve como depósito dos equipamentos usados pelo atual elenco guarda também chuteiras que ajudaram a aumentar a quantidade de troféus da galeria tricolor. São as “queridinhas” dos roupeiros Manoel Carvalho, Aloízio dos Santos e Denílson Macedo, que cuidam dos calçados com carinho e mantêm vivos os momentos inesquecíveis protagonizados por seus respectivos donos.

A montagem do “museu” da rouparia começou com Emílio Antônio Aguiar, o Ximbica, que morreu em 2002. Ele guardou os primeiros itens: as chuteiras que protegiam os pés de Assis, no gol do título do Campeonato Carioca de 1983. Depois, veio o par do gol decisivo do Carioca de 1995. Como não dava pra guardar a barriga de Renato Gaúcho, ficaram as chuteiras mesmo. Esses dois títulos foram conquistados em cima do Flamengo (1 a 0, em 83, e 3 a 2, em 95).

– O Ximbica guardou algumas e a gente achou que era interessante. Então, de uns anos pra cá, sempre que os jogadores estão de saída, a gente pede pra deixar a chuteira. Com uma aqui e outra ali, já temos um espaço reservado pra essas chuteiras especiais – contou Manoel Carvalho.

Preparar as chuteiras para um jogador vai muito além de limpar e engraxar. Cada atleta tem suas preferências. Para dar conta do recado, os roupeiros amaciam, ajeitam os cadarços e chegam até a deixar de molho, ajudando o modelo a se encaixar no molde dos pés tricolores. Os tamanhos mais comuns são 40 e 41. Este ano, os extremos foram das chuteiras 36 do argentino Darío Conca, que se transferiu para o futebol chinês, às 43 do zagueiro Leandro Euzébio.

– Quando a chuteira está nova, nós deixamos na água quente. Aí, ela fica macia e melhor pra jogar. Um par tem tratamento diferente do outro porque os jogadores escolhem modelos e cores muito pessoais. Prefiro as tradicionais pretas. É mais tranquilo trabalhar com elas. As brancas e coloridas são “cheias de coisa”, mas a gente dá um jeito e deixa essas bonitas também – afirmou Carvalho.

Na torcida por novos títulos, Manoel está preparado para adicionar outras peças ao cantinho histórico da rouparia. A partir de critérios como contribuições, feitos inesquecíveis, proximidade ou representatividade no futebol mundial, alguns pés já estão na mira para cederem suas travas ao acervo.

– Queremos guardar o maior número possível. Chuteiras de jogadores como Fred, Gum, Deco e Rafael Moura não podem faltar – anunciou o roupeiro.

Acervo histórico de chuteiras, na rouparia do Fluminense:

Darío Leonardo Conca – Último jogo – 2011

Washington Coração Valente – Último jogo – 2010

Roger Machado – Campanha da Copa do Brasil – 2007

Renato Gaúcho – Gol do título do Campeonato Carioca – 1995

Assis (Casal 20) – Gol do título do Campeonato Carioca – 1983

Autor: Fernando Torres (Assessoria de Imprensa)